Sempre tive a necessidade de mudar frequentemente o fundo do ambiente de trabalho do computador; ou a imagem de fundo do telemóvel; ou o toque do telemóvel. Irritar-me-ia ficar muito tempo com as mesmas vaidades. O que nunca me passaria pela cabeça seria mudar de presidente, de governo – e vai daí não sei – ou de treinador de equipa de futebol.
O que é certo é que o Mundo, hoje, encena grandes e pequenas revoluções à margem daquilo que é o regular. Passa-se assim no Egipto, Tunísia e Iémen; o presidente do SCP demitiu-se e deixou a crise instalada; os adeptos do Setúbal contestaram as decisões do treinador revoltando-se; universitários lutam em prol de bolsas de estudo; e por aí fora numa infinidade de pequenas e grandes revoluções.
Espanta-me a velocidade com que as pessoas anseiam mudar um regime político, um treinador de futebol ou uma medida imposta por lei. Não me dá para ficar boquiaberto porque ainda há o direito à liberdade de expressão, na maioria dos casos mencionados. Mas o que de facto me espanta mais é ver gente com muita sede da mudança, mudança de sistema, mudança de regras, mudança daquilo que se passa à sua volta, e poucos serem aqueles que se lembram de olhar para dentro de si próprios e mudar a sua maneira de pensar. Sim, poucos são aqueles que mudam interiormente, se os houver.
Concluamos pertinentemente que, se mudarmos o sistema, tudo estará bem e fará sentido. Não é assim. Mudar aquilo que nos está subjacente e acontece à nossa volta não nos tornará pessoas exemplares ou mais felizes (talvez um pouco). Com certeza, seremos puxados e acarinhados pelo novo regime; no entanto os velhos hábitos continuarão enraizados na nossa pessoa. E será assim até se perceber que as coisas fora de nós não farão diferença, se nós não mudarmos por dentro.