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terça-feira, novembro 30, 2010

Desnuda

"Desnuda eres tan simple como una de tus manos:
lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente.
Tienes líneas de luna, caminos de manzana.
Desnuda eres delgada como el trigo desnudo.

Desnuda eres azul como la noche en Cuba:
tienes enredaderas y estrellas en el pelo.
Desnuda eres redonda y amarilla
como el verano en una iglesia de oro.

Desnuda eres pequeña como una de tus uñas:
curva, sutil, rosada hasta que nace el día
y te metes en el subterráneo del mundo

como en un largo túnel de trajes y trabajos:
tu claridad se apaga, se viste, se deshoja
y otra vez vuelve a ser una mano desnuda."

Pablo Neruda

quinta-feira, novembro 18, 2010

Protagonismo

A nossa vida poderia ser – e se não o for já – equiparada a uma telenovela ou a uma série ou a um teatro… No fundo, interessa que interpretemos um papel. E apesar de nos preocuparmos com o que já está escrito, não nos debrucemos sobre quem escreveu aquelas linhas para nós, pondo de parte o guionista; interessa sim, antes de procurar a maneira de mudar de escrever a nossa história, saber a resposta a duas perguntas – e é daí que se começa: “que papel estou eu a desempenhar?” e “Será que me encaixo neste argumento?”.

É que, muitas das vezes, os actores não são as personagens; os actores são simplesmente actores e as personagens meras personagens. Portanto, pessoas diferentes no mesmo sítio, à mesma hora, no mesmo corpo. Mas uma delas não sabe o que está ali a fazer e nem o improviso lhe fica bem…

quarta-feira, novembro 10, 2010

Do amor

“O amor, realmente, é um artefacto estranho de se entender. Alguma gente diz que o percebe, pouca gente percebe quando o sente e ainda menos gente sabe quando está perante ele – ou quando ele está a um palmo do seu nariz. Ainda assim as pessoas insistem que é com ele que são felizes – que é o mesmo que dizer uns com os outros. Mas falando desse artefacto incólume e ao mesmo tempo tão desbaratado, as pessoas quando amam, e de ambas as partes, fazem sentir-se bem uma à outra, pondo cada lado com perfeito à-vontade para qualquer situação. O que de facto não pode sobrar é a evidência das qualidades soberbas e capacidades que cada singular tem para oferecer ao plural. De vez em quando, lá se soltam um ou outro tímidos defeitos, esses que nem eram para ser mostrados; mas que interessa? Há uma pessoa do lado de lá que nos ama. E desta maneira é que o amor funciona – as pessoas já não. Elas não são amor. Geralmente elas são mais complicadas e, para salvar a mão à palmatória, dizem ilustremente que o amor é que é. Ainda que as faça felizes…”