Não tenho um único AMIGO! Não tenho ninguém que fique até
mais tarde a conversar, já depois da hora, depois do pôr-do-sol mesmo; não
tenho ninguém que tome comigo uma cerveja numa esplanada e não se importe com
as horas nem com o facto de estarmos os dois calados. Não tenho ninguém que se
preocupe comigo como a minha irmã (como os outros são egoístas…). Não tenho alguém
que me ligue às três ou quatro da manhã e diga “vamos dar um passeio”, não
tenho alguém que conheça a minha família como conhece a sua, alguém que sabe
onde guardo as chaves de casa ou alguém que conheça o meu quarto; e a minha
vida…
Não tenho ninguém com quem falar de mulheres, de futebol ou
do último filme do cinema. Não tenho ninguém para sorrir, para fazer de
cúmplice, para ouvir. Tenho pessoas que saem na sexta à noite e no sábado à
noite e no domingo à tarde e, na ânsia e na correria de estar com tantos
amigos, acabam por estar verdadeiramente com nenhum. Nem o serem até.
Há que distinguir bem quem são os hipócritas e quem são os
verdadeiros e, por fim, ignorar os dois; o que há é distinguir os AMIGOS. De facto,
a minha lista telefónica está recheada de pessoas e quase todas – todas – dizem
ser minhas amigas…