Alguém corria freneticamente rua acima, para o lugar onde ela ia dar. Acabava numa calçada cinzenta, uma espécie de praça, e ali estaria uma rapariga à espera da pessoa que corria louca. O rapaz chegou ao pé dela com o fôlego muito puxado e ainda sem recuperar pegou-lhe nas mãos e brindou. Gritou a plenos pulmões para o céu:
- EU ESTOU LIVRE, Maria! ESTOU LIVRE!
E muitas lágrimas lhe corriam pelo rosto enquanto dizia isto. Então abraçou-a, deu voltas e voltas com ela, até ficarem tontos, enquanto desejava um milhão de «obrigados». Ela ria e dizia-lhe para parar e ele parou e deitou-se no chão da calçada fria. Ainda a vê-lo chorar, não sabia se devia abraçar o amigo ou dizer para ele se levantar – as lágrimas seriam um misto de tristeza e alegria. Então ela deitou-se ao lado dele e perguntou-lhe:
- O que vês?
E ele respondeu à rapariga que estava radiante ao seu lado, por ao fim de tanto tempo ver o amigo a sorrir, ainda a soluçar:
- O céu hoje é vermelho e as nuvens são algodão doce… - disse entre uma risada que se estendeu até ao horizonte.
1 opiniões:
Fantástico! :D
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